Da obra para uma nova obra: o potencial da reciclagem dos resíduos da construção
A reciclagem de Resíduos da Construção e Demolição (RCD) é caracterizada como um beneficiamento mineral, porém de maneira simplificada. O beneficiamento mineral consiste em um conjunto de operações unitárias que visam obter características específicas de certa matéria-prima, como a separação dos seus...
A reciclagem de Resíduos da Construção e Demolição (RCD) é caracterizada como um beneficiamento mineral, porém de maneira simplificada. O beneficiamento mineral consiste em um conjunto de operações unitárias que visam obter características específicas de certa matéria-prima, como a separação dos seus constituintes minerais, adequação de tamanho e demais processos.
No Brasil, grande parte das instalações de reciclagem de RCD mineral é gerida pelo setor público com a finalidade de produzir agregados que são utilizados em atividades de pavimentação, porém ainda de forma incipiente. Mas o mercado vem se consolidando com usinas privadas de reciclagem de RCD espalhadas pelo Brasil, amparadas por legislações municipais mais rigorosas, que fazem com que o mercado absorva todo o material reciclado produzido por estas usinas.
Porém, a reciclagem de resíduos, assim como qualquer atividade humana, também pode causar impactos ao meio ambiente. Variáveis como o tipo de resíduo, a tecnologia empregada e a utilização proposta para o material reciclado podem tornar o processo de reciclagem mais impactante do que o próprio resíduo antes de ser reciclado, podendo o processo de reciclagem acarretar riscos ambientais que precisam ser adequadamente gerenciados.
O beneficiamento dos RCD através das usinas de reciclagem surgiu como uma principal alternativa para processamento destes resíduos, diminuindo a sua disposição irregular e gerando assim um agregado reciclado que pudesse ser reutilizado na cadeia da construção civil, sendo os municípios de Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Londrina, São Paulo os pioneiros na implantação de usinas de reciclagem de RCD, mesmo não havendo uma legislação nacional que tratasse especificamente do assunto.
O país já contava com 16 usinas até o ano de 2002, porém com uma taxa de crescimento reduzida deste setor, com até três por ano. Após a publicação da resolução CONAMA nº 307 de 05 de julho de 2002, essa taxa de crescimento aumentou, sendo inauguradas de três a nove usinas por ano. No Brasil, 74% dos modelos de usina implantados são do tipo fixa, ou seja, composta por britador de mandíbulas, alimentador vibratório, peneiras, esteira magnética e esteiras de saída, sendo a triagem do resíduo realizada manualmente e a alimentação do circuito via pá carregadeira.

Segundo a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção (ABRECON), com 32,8 toneladas de resíduos da construção e demolição (RCD) classe A é possível fabricar 8.640 tijolos, que são suficientes para construir um imóvel com 52m², com dois dormitórios, cozinha, sala e banheiro, gerando uma economia de 40% no preço final, em relação à produção com agregados naturais.
Porém, a viabilidade técnica e econômica de uma usina não depende apenas do empenho dos gestores do empreendimento (ABRECON, 2017). Ainda segundo esta associação, é muito importante para o desenvolvimento das atividades ter legislação que combata o descarte irregular de entulho na região, o Controle de Transporte de Resíduos (CTR) eletrônico ou em papel e uma política de incentivo ao consumo do agregado reciclado.
A reciclagem, potencialmente, pode resultar na redução de custos e do volume de extração da matéria-prima, preservando os recursos naturais limitados, e também na minimização dos problemas com gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos nos municípios.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Usina de Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição: Análise de Viabilidade de Implantação no Município de Ouro Preto – MG, defendida por Frederico Carneiro de Oliveira, no Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade Socioeconômica Ambiental da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, sob orientação do professor Antenor Rodrigues Barbosa Júnior.
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