Economia circular

Economia circular transforma veículos em fim de vida em fonte de recursos

Veículos são bens móveis que pode ter incorporado em sua estrutura três mil a 30 mil peças, dependendo do modelo, tamanho e forma de fabricação. As peças estão alocadas em diferentes setores da estrutura. Cada setor possui funcionalidades específicas desempenhadas por diferentes Sistemas, sendo estes: Elé...

Materiais presentes na estrutura de um veículo em fim de vida (VFV)

Veículos são bens móveis que pode ter incorporado em sua estrutura três mil a 30 mil peças, dependendo do modelo, tamanho e forma de fabricação. As peças estão alocadas em diferentes setores da estrutura. Cada setor possui funcionalidades específicas desempenhadas por diferentes Sistemas, sendo estes: Elétrico; Arrefecimento; Freio; Rodagem; Injeção; Ignição; e Transmissão.

Quando um veículo não apresenta mais condições para a circulação, em consequência de acidente, de avaria, de mau estado ou por outro motivo, o ciclo de vida útil se encerra e o automóvel passa a ser caracterizado como um Veículo em Fim de Vida - VFV, constituindo um conjunto de resíduos. A composição de um VFV depende dos materiais utilizados em sua fabricação. As estruturas e os materiais são determinantes para o correto manejo na desmontagem para o reuso de peças e o reaproveitamento dos resíduos.

A obtenção de materiais reciclados originários de VFVs tem sido amplamente estudada em função dos impactos projetados nos ambientes em que se encontram. Estes impactos são resultado do design e da heterogeneidade de materiais utilizados na fabricação dos automóveis. Outra interferência é a ampla faixa de idades das frotas de VFVs nos mais distintos países. Consequentemente, é difícil prever a quantidade e a diversidade de matérias presentes, mas equalizando-se dados pode-se estimar a presença de grupos de materiais em um VFV.

A literatura apresenta variações das quantidades de materiais empregados em veículos leves, porém o aço, cuja constituição é de 98,5% de ferro, é responsável por 50 a 70% do peso de um VFV. O plástico é o segundo material e sua quantidade pode variar entre 8 a 15%. Além dos componentes sólidos, os VFVs possuem uma série de fluidos de limpeza, desobstrução, refrigeração e lubrificação que somados, totalizam aproximadamente 25 litros, excluindo o combustível do VFV.

Materiais presentes na estrutura de um veículo em fim de vida (VFV)
Materiais presentes na estrutura de um VFV. Fonte: Adaptado de Soo et al. (2017).

Nos casos de encerramento de ciclos vultuosos, como é o caso dos materiais de um VFV, é relevante conhecer o cenário no qual o País está inserido. No Brasil, sabe-se que o número de VFVs gerados é superior a um milhão de unidades ao ano, constituindo-se em um potencial para a implementação de uma economia voltada a preservação de peças e/ou materiais; com geração de postos de trabalho; e mitigação na extração de recursos naturais.

A indústria automotiva vem investindo no Design for Disassembly – DfD para o reuso e remanufatura de peças, uma vez que estes são preferíveis à reciclagem. Além disso, estudos comprovam que reciclagem tradicional economiza dez vezes mais energia do que a recuperação de energética aplicada ao mesmo resíduo. Engenheiros têm sido encorajados a projetar para a desmontagem, evitando o uso de agentes adesivos e juntas soldadas, e, sempre que possível, usando grampos ou parafusos facilmente removíveis.

No entanto, as considerações de projeto para os VFVs ainda não são de alta prioridade para os fabricantes de automóveis. Questões econômicas e um direcionamento para a personalização continuam sendo as principais motivações do design automotivo. Futuramente, o processo de desmontagem deve considerar um índice de recuperação que deve auxiliar as montadoras na implementação de estratégias de recuperação, considerando a eficiência do projeto de desmontagem, as estimativas do tempo total de desmontagem direta e indireta, a sequência ótima de desmontagem e o custo da desmontagem.

As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Economia circular aplicada à desmontagem de veículos em fim de vida, defendida por Vera Regina Piazza, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob orientação da professora Rejane Maria Candiota Tubino e coorientação da professora Ângela de Moura F. Danilevicz.

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