Mudanças Climáticas e Agricultura: práticas conservacionistas como medidas de adaptação
A magnitude dos impactos negativos na agricultura não é determinada somente pela variabilidade climática e pela ocorrência de eventos climáticos extremos (ECE), mas se torna mais intensa quando estes fatores se combinam à degradaç…
A magnitude dos impactos negativos na agricultura não é determinada somente pela variabilidade climática e pela ocorrência de eventos climáticos extremos (ECE), mas se torna mais intensa quando estes fatores se combinam à degradação dos recursos naturais e dos ecossistemas, próximos aos sistemas de produção, em função de práticas não sustentáveis no manejo agrícola.
A adaptação à mudança do clima na agricultura pode ser entendida como uma ação importante e intencional realizada no sistema de produção agrícola em resposta aos impactos potenciais ou reais às mudanças climáticas, como, por exemplo, a adoção de práticas conservacionista do solo, da água, biodiversidade, do clima e ainda manejo agrícolas que levem a baixa emissão de carbono e mantenham e prover os serviços ecossistêmicos.
As medidas de adaptação incremental na agricultura são mudanças nas práticas e tecnologias dentro de um sistema existente. Que pode ser proveniente das mudanças de práticas que surgiram com a “Revolução Verde” da década de 1970, como monocultivo, revolvimento constante do solo, utilização de agrotóxicos e fertilizantes, que contribuem para degradação dos ecossistemas e recursos naturais.
Portanto, é importante inserir no manejo agrícola práticas conservacionistas para permitir um maior armazenamento de água na propriedade, evitando o escoamento superficial tais como: cobertura do solo, plantio em nível, terraços, bacias de retenção de solo e água, cordões vegetais ou de pedra, reflorestamentos, barraginhas, proteção de nascentes e cursos d’água, sistema de plantio direto (SPD) e adubação verde. Estas podem ser adotadas como medidas de adaptação às mudanças climáticas, sendo interessante principalmente para agricultura familiar por serem tecnologias de baixo custo.
Contudo, adotar medidas de adaptação incremental pode não ser o suficiente, uma vez que os produtores rurais precisam se adaptar a todo o conjunto de impactos indiretos e diretos das mudanças climáticas, incluindo toda a gama de seus impactos sociais, culturais, efeitos políticos, financeiros e físicos, bem como outras situações e ameaças concorrentes.
Nesse contexto, a transição para sistemas ecologicamente sustentáveis é uma alternativa de adaptação climática. Esses sistemas adotam práticas de conservação dos recursos hídricos e edáficas, bem como contribuem para o abrigo dos agentes polinizadores e de controle natural de insetos-pragas e doenças; e ainda podem auxiliar na fixação de carbono e nitrogênio no solo, na redução da emissão de gases de efeito estufa; na reciclagem de nutrientes; biorremediação do solo; manutenção e uso sustentável da biodiversidade e a diminuição ou ausência na utilização de insumos externos (relacionados à provisão de diversos SE). Destacam-se os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), Sistemas Agroflorestais (SAFs) e a produção orgânica.
Entretanto reduzir os impactos e aumentar a resiliência dos sistemas de produção agropecuária depende da conservação dos ecossistemas e da qualidade dos serviços ecossistêmicos por meio da Adaptação Baseada em Ecossistemas (AbE). Uma estratégia para a adoção da AbE é a proteção e a manutenção das áreas florestadas mediante recuperação, recomposição, regeneração ou compensação. Essas ações podem ser direcionadas aos proprietários ou possuidores de imóveis rurais em seu processo de regularização ambiental, como por exemplo a implementação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a recuperação de áreas de Reserva Legal (RL).
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Mudanças Climáticas e Serviços Ecossistêmicos: medidas de adaptação no contexto agrícola de Nova Friburgo (RJ), defendida por Samira França de Oliveira, ao Curso de Mestrado em Engenharia de Biossistemas da Universidade Federal Fluminense, sob orientação da professora Rachel Bardy Prado e coorientação da professora Joyce Maria Guimarães Monteiro.
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