Estudos mostram impactos dos microplásticos na vida marinha
Como consequência da má gestão dos resíduos plásticos, os microplásticos são amplamente distribuídos por todo o planeta, podendo ser encontrados em praias, superfície e coluna da água do mar, água doce e …
Como consequência da má gestão dos resíduos plásticos, os microplásticos são amplamente distribuídos por todo o planeta, podendo ser encontrados em praias, superfície e coluna da água do mar, água doce e águas salobras, sedimentos, gelos, solo na atmosfera e até mesmo nas regiões mais remotas, tais como em locais de altas altitudes e na região do Ártico e Antártica. Os microplásticos são particularmente preocupantes, pois podem derivar de uma variedade de fontes e atingir altas densidades dentro do ambiente, interagindo com fatores abiótico e biótico.
As principais fontes de microplásticos são de redes de drenagem municipais, pescas, construções navais, turismo, aplicação de filmes plásticos agrícolas e águas residuais e os principais caminhos dos microplásticos são pela atmosfera (fibras sintéticas suspensas e depositadas no ar, através de ventos e precipitações), pelo ambiente terrestre (movimentações de solo provocadas por organismos, terras agrícolas e urbanas) e por ambientes aquáticos (em suspensão nas águas, ingeridos por organismos marinhos, em áreas de congelamento, degelo e em águas subterrâneas).
Apesar de serem ambientes diferentes, lagos e rios estão interligados e pesquisas demonstram que a poluição por microplásticos retidos em estações de tratamento de esgoto podem migrar novamente para ambientes terrestres ou aquáticos. Os rios são potenciais sistemas de transporte de microplásticos, afirmando que as distribuições espaciais e temporais mostraram diferenças substanciais de acordo com a metodologia, as condições sazonais e hidrodinâmicas e com a proximidade com áreas urbanas e/ou industriais.
Por estarem associados à maioria dos poluentes tóxicos, listados pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e pela União Europeia, acredita-se que os resíduos de plásticos sejam classificados como perigosos. Diversos estudos mostram os impactos dos microplásticos no ambiente e em organismos. Micropartículas de polietileno reduziram pela metade a força de fixação em mexilhões azuis. Em peixes, micropartículas de poliestireno diminuíram a capacidade de nadar e explorar, danificaram as vesículas e biles, além de diminuírem o crescimento e a capacidade de energia.
Estudos em zooplâncton constataram efeitos negativos no comportamento alimentar, reprodução, crescimento, desenvolvimento e expectativa de vida. A presença de microplásticos em peixes mictofídeos, leões marinhos e focas sugerem transferência de microplásticos através de cadeias alimentares. A bioacumulação de partículas de plástico sustenta que a contaminação pode ser tão perigosa para organismos de água doce quanto para os de biota marinha.
Os efeitos potenciais deletérios dos microplásticos em organismos de água doce são muito menos conhecidos em relação aos de origem marinha. Contudo, comparando as áreas urbanas com suas montantes e jusantes, constatou-se maior ingestão de micropartículas plásticas pelos peixes que estavam nas áreas urbanas. Para que ocorra a redução dos problemas dos microplásticos deve-se envolver a sociedade em geral, os setores socioeconômicos, o turismo e as empresas especializadas em gestão de resíduos.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Microplásticos em Águas Subterrâneas de Área Urbana, defendida por Felipe Lúcio Duda Matos, no Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos da Universidade Federal de Mato Grosso, sob orientação da professora Danila Soares Caixeta e coorientação do professor Jhonatan Barbosa da Silva.
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