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Telhado verde de baixo custo reaproveita garrafas PET

Para tentar reduzir os impactos ambientais e ajudar a recuperar o meio ambiente, foram pensadas alternativas sustentáveis para a construção civil, de modo que aproveite os recursos naturais e reduza a poluição ambiental. Dentre essas alternativas se inserem os telhados ecológicos, que apresentam diversos benefícios...

Cobertura vegetal desenvolvida com reaproveitamento de garrafas PET

Para tentar reduzir os impactos ambientais e ajudar a recuperar o meio ambiente, foram pensadas alternativas sustentáveis para a construção civil, de modo que aproveite os recursos naturais e reduza a poluição ambiental. Dentre essas alternativas se inserem os telhados ecológicos, que apresentam diversos benefícios como: redução da conta de energia, ganho de valor imobiliário, benefícios para a saúde, além de contribuir com a preservação do meio ambiente.

Considerando o viés da sustentabilidade em consonância com a crescente geração de resíduos sólidos, pode-se pensar na reutilização das garrafas PET como a base para o cultivo de plantas no processo de montagem da cobertura sustentável.

Cobertura vegetal desenvolvida com reaproveitamento de garrafas PET
Cobertura vegetal desenvolvida. Fonte: Autora.

Neste sentido foi criada uma cobertura com garrafas PET uma edificação experimental em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. O sistema foi concebido para reunir três aspectos: desempenho ambiental, viabilidade econômica e adaptação às condições locais. As garrafas PET foram utilizadas como estrutura de suporte para o substrato e a vegetação, aproveitando um material de fácil acesso e cuja decomposição é lenta. A escolha da planta também levou em conta as características do semiárido. O Aranto (Kalanchoe laetivirens) apresenta facilidade de manutenção e propagação, adapta-se a temperaturas elevadas e à escassez de água e ainda possui potencial de comercialização de mudas, criando uma possibilidade de retorno econômico para a comunidade.

O resultado foi uma estrutura simples, que não exigiu mão de obra especializada para sua montagem. A composição utilizou 23 garrafas PET de dois litros, substrato de terra tratada, clips de aço galvanizado, parafusos, buchas e casca de pinus. O investimento calculado foi de R$ 18,98 por metro quadrado, valor inferior ao custo de R$ 75 por metro quadrado citado como referência para sistemas instalados por empresas especializadas.

A simplicidade da solução, entretanto, não significou abrir mão do desempenho térmico. Os resultados mostraram que o telhado verde apresentou temperaturas máximas inferiores às observadas na cobertura de referência durante os seis dias analisados. A diferença variou de 1,9°C a 2,7°C, justamente nos momentos de maior temperatura. A cobertura também apresentou menor amplitude térmica, indicando maior estabilidade das condições no interior do protótipo.

Quando os dados foram comparados às temperaturas externas, a diferença se tornou ainda mais expressiva. Em determinados períodos, a amplitude térmica registrada para o telhado verde chegou a ser 5,9°C menor que a observada no ambiente externo. O efeito foi especialmente perceptível nos horários mais quentes do dia, quando a cobertura conseguiu atenuar em cerca de 3°C a temperatura em comparação com o telhado convencional utilizado como referência.

A vegetação também apresentou um comportamento favorável ao longo do experimento. Após a introdução da casca de pinus, foi observado melhor crescimento das plantas e maior retenção de água. O material pôde ser retirado posteriormente e reutilizado em novos ciclos de plantação. A experiência evidencia uma possibilidade de aplicação da sustentabilidade que considera simultaneamente o desempenho da edificação, o aproveitamento de resíduos e as características socioeconômicas do território.

As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Desempenho térmico de telhado verde ecológico de baixo custo em clima semiárido, defendida por Ranny Scarllet Tavares Marcolino da Rocha, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sob orientação da professora Sylvana Melo dos Santos.

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