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Estadão - Hora de destravar o pilar da economia brasileira

Hora de destravar o pilar da economia brasileira

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José Luís Campos*

25 Janeiro 2019 | 10h00

José Luís Campos. FOTO: CAROLINA JARDINE

As mais de mil grandes obras inacabadas no Brasil mostram apenas uma parte do nosso atraso no setor de infraestrutura. O gargalo não é recente. Ilustra e justifica claramente as dificuldades que a construção civil atravessou nos últimos anos, numa trajetória descendente iniciada ainda em 2013 e só estabilizada na passagem de 2017 para 2018. Pilar do desenvolvimento e uma das cadeias econômicas mais atuantes do País, a construção civil gera emprego, renda, traz riquezas e prosperidade, mas como toda área estratégica, depende de um ambiente econômico favorável para receber investimentos e crescer.

É com essa perspectiva que ingressamos em 2019, trabalhando com um cenário que permita a intensificação de parcerias do setor público com o privado, solucionando problemas históricos de infraestrutura e logística que há anos comprometem a competitividade do Brasil. Nesse rol estão estradas, portos, aeroportos, hidrovias, moradias, ferrovias, saneamento, entre outros, cujas condições atuais colocam o Brasil na 73.ª posição em ranking de infraestrutura no mundo, apesar de figurar entre as oito maiores economias do planeta.

Condições de crescimento por parte do setor público e maior velocidade nas operações de concessões e privatizações foram apontadas pelos empresários da construção civil como ações fundamentais para dar suporte ao desenvolvimento. Os primeiros sinais positivos dessa tendência estão nos números de 2018 quando analisados os indexadores de investimento em equipamentos de movimentação de terra, a chamada linha amarela.

O Estudo Sobratema indicou elevação surpreendente de 40% na comercialização de máquinas, volume próximo a 11,6 mil unidades contra 8,3 mil unidades no ano anterior. Outro dado positivo é o indicador de confiança dos empresários medido pela Fundação Getulio Vargas, que fechou 2018.

A comercialização de escavadeiras, plataformas e caminhões para uso na construção despontaram com desempenho promissor puxado pela retomada de licitações e maior estabilidade econômica. Os resultados foram muito positivos para um ano onde se viveu uma greve geral que resultou em um verdadeiro apagão logístico e expôs as mais graves deficiências do Brasil, sem contar um processo eleitoral polarizado que dividiu e praticamente parou o País.

Se as projeções se confirmarem, o mercado deve seguir com otimismo turbinado, principalmente com a esperança de desburocratização, reforma tributária e oferta de crédito ágil e a juros menores. Contudo, é prematuro esperar que mudanças mais profundas na política de investimentos do País no setor de infraestrutura sejam notadas de imediato. Isso porque o País necessita de reformas profundas, o que deve levar o novo governo a optar por um primeiro ano de governo de ajuste de contas e, provavelmente, de contenção de despesas em obras públicas.

Apesar das dificuldades, é incontestável a força da construção civil nacional, um setor que movimenta mais de R$ 250 bilhões ao ano e que cada vez mais conta com o suporte de máquinas e equipamentos de alta tecnologia nos canteiros de obras e nas atividades extrativistas.

Há recursos no mercado e intenção de investir, algo possível sem o comprometimento de reservas ou riscos demasiados. Mas é preciso crédito em condições competitivas e com segurança, independentemente se estamos falando de construção, saúde, segurança ou produção primária.

O que falta ao País é confiança, fundamental para trazer investimento. Mas o caminho a ser traçado não é fácil. Requer anos de trabalho, decisões assertivas, embasadas e um plano claro e coerente. Precisamos enxergar o futuro com clareza para construirmos um amanhã digno do Brasil que queremos ser, não apenas daquele que nossas mazelas e constantes crises nos permitem ser.

*José Luís Campos, superintendente comercial do Banco DLL

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