Associação Brasileira de Tecnologia
para Construção e Mineração

Novas fontes de financiamento e abertura de capital a investimentos privados podem contribuir para o crescimento das fontes solar e eólica

O desenvolvimento do setor de energia renovável em um país passa por um tripé, composto por um marco regulatório robusto, estrutura de capital financeiro e recurso da fonte energética razoável. Na avaliação do engenheiro Luiz Ballester, líder do departamento comercial Atlas Renewable Energy no Brasil, os Estados Unidos, as nações da União Europeia e o Chile experimentaram essa evolução e contam, atualmente, com um mercado forte de solar e eólica.

No caso do Brasil, Ballester afirmou que o país tem como base esse mesmo tripé, sendo proativo e com um marco regulatório estável, estrutura de financiamento e um recurso solar e eólico entre os melhores do mundo. “Mas ainda há muito a ser feito. Por isso, os agentes do sistema elétrico nacional constantemente estão discutindo a modernização da questão regulatória e do mercado livre de energia, que são pontos importantes para continuar o crescimento”, disse o especialista, durante o BW Talks Energia Renovável, promovido pelo Movimento BW, iniciativa da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), no dia 17 de junho.

O segundo fator que pode ser aprimorado está ligado à estrutura de capital, com a abertura para investimentos privados e a oferta novas formas de financiamento. Segundo Ballester, o setor tem crescido, principalmente, com os recursos oferecidos pelo BNDES e pelo Banco do Brasil. Contudo, para a entrada desse capital, é importante seguir prezando pela estabilidade legal, regulatória e de contratos.

Atualmente, grande parte da geração de energia eólica está na Região Nordeste e a solar é encontrada também em estados como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e São Paulo. Para o engenheiro, há um forte potencial de expansão dessas duas fontes, porém somente as duas não serão suficientes para atender todo o sistema. “A matriz energética nacional precisa de diversas fontes para atender a demanda do país. A curva solar e a curva eólica são complementares na maior parte do tempo, mas em algum momento vai ser preciso outro tipo de fonte, a não ser que haja o armazenamento da energia”, disse.

Nesse sentido, o hidrogênio pode ser um importante vetor para dar escala às tecnologias de estocagem de energia. “O hidrogênio pode mudar não apenas a geração de energia, mas também solucionar a emissão de carbono na área de transporte”, disse Ballester, que ponderou que a solar se tornou competitiva em um período menor do que se havia planejado e o hidrogênio pode passar por uma aceleração similar.

Em sua visão, as empresas precisam implantar uma estratégia de transição energética, uma vez que o principal desafio do mundo está em conseguir descarbonizar a economia global para diminuir as mudanças climáticas.

O BW Talks Energia Renovável está disponível no site oficial do Movimento BW.