Associação Brasileira de Tecnologia
para Construção e Mineração

Nível atual de emissões de gases de efeito estufa determina os efeitos das mudanças climáticas nas próximas décadas

Os gases de efeito estufa emitidos nos dias atuais provocarão mudanças no clima daqui a 40 ou 50 anos. Isso significa que existe uma defasagem do tempo entre a causa e os efeitos das mudanças climáticas. Com isso, é urgente implementar ações no presente para mitigar as consequências futuras. Na avaliação do cientista Luiz Gylvan Meira Filho, pesquisador visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), a questão do clima vai continuar a ganhar relevância ao longo dos anos, justamente por seus efeitos no longo prazo.

Em sua participação no BW Talks Mudanças Climáticas: Uma questão de tempo, promovido pelo Movimento BW, iniciativa da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), no dia 9 de setembro, o professor Gylvan, doutor em Filosofia pelo Departamento de Astro-Geofísica da Universidade do Colorado, apresentou um estudo que mostrou que as emissões dos gases metano, dióxido de carbono e óxido nitroso reverberam mudanças na temperatura do clima em no máximo 20 anos, 40 anos e 50 anos, respectivamente. Outra informação é que cerca de 15% do gás carbônico permanece na atmosfera por mais de mil anos.

“O Planeta Terra é uma estufa natural. Contudo, o aumento da concentração de dióxido de carbono e de outros gases potencializa essa característica, originando o aquecimento global, que muda o clima. Seria como ter um aquecedor com potência de 2W para cada metro quadrado de superfície ligado 24 horas por dia há muitas décadas”, explicou o especialista, que acrescentou que desde a revolução industrial, a concentração atmosférica de dióxido de carbono vem crescendo, devido à atividade humana, sendo principalmente de origem fóssil.

Para comprovar a existência de uma mudança antrópica no clima, o professor Gylvan, conferencista internacional e que já deu aulas em renomadas universidades internacionais, elucidou que foram feitos estudos científicos, utilizando supercomputadores baseados nas leis básicas da física, que mostraram a curva de evolução do clima no início dos anos 1900 em dois cenários: com e sem a emissão de gases de efeito estufa. No primeiro cenário, ocorre o aquecimento da temperatura do planeta, enquanto no segundo, a temperatura se mantém mais estável.

No caso do Brasil, o cientista, que já foi presidente da Agência Espacial Brasileira, afirmou que no relatório apresentado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em 2005, o país colaborou relativamente com pouco menos de 2% para a mudança do clima. A seu ver, é importante analisar também qual é o efeito da mudança do clima sobre o Brasil, especialmente no que se refere à temperatura e à precipitação. Nesse sentido, ele explicou que a precipitação é importante para a Amazônia e se houver a diminuição de chuvas pode ocorrer no longo prazo o processo de savanização, principalmente, na região de transição da Floresta Amazônica para o cerrado, cujo clima é mais seco.

As mudanças climáticas também acarretarão o aumento do nível médio dos oceanos por conta da expansão térmica das águas e do derretimento das geleiras. Essa elevação dependerá do cenário de emissões globais, mas pode chegar a 74 cm até 2100, em uma situação mais pessimista. Por isso, o professor Gylvan alertou que as decisões atuais no que tange ao cumprimento do Acordo de Paris são importantes para determinar qual será o futuro da nova geração. E essas ações dependem de todos: governos, empresas de todos os portes e consumidores.

O BW Talks Mudanças Climáticas: Uma questão de tempo está disponível no site oficial do Movimento BW.