Associação Brasileira de Tecnologia
para Construção e Mineração

Ser sustentável significa um modelo de produção capaz de ser perene e para todos

A discussão intensa e contínua sobre sustentabilidade e mudanças climáticas enfatiza a importância do cuidado com a biosfera para assegurar a vida no planeta e para manter a sustentação econômica local e global. Essa mudança de paradigma quebra a antiga visão de que Economia estava em primeiro lugar, vindo depois o planeta e o homem. Nesse sentido, o engenheiro agrônomo José Carlos Pedreira de Freitas, sócio-diretor da HECTA - Desenvolvimento Empresarial nos Agronegócios, coordenador executivo do Instituto Agroambiental Araguaia e cofundador da Liga do Araguaia, avalia a urgência de inserir sustentabilidade responsabilidade social corporativa na estratégia de negócios de empresas e organizações em qualquer campo de atividade.

“Ser sustentável é ter um modelo de produção que atenda a todos e tenha perenidade”, pontuou Pedreira, durante o BW Talks Produzir e Conservar. É possível?, promovido pelo Movimento BW, iniciativa da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), no dia 16 de setembro. Para ele, sustentabilidade não é moda, é diferencial competitivo. “Podemos ver sua necessidade em nosso dia a dia; toda a vez que desrespeitamos os limites dos sistemas naturais e sociais, disse.

Segundo Pedreira, uma gestão sustentável identifica riscos e oportunidades, promove melhorias disruptivas e assegura a longevidade do negócio, gerando valor e vantagens competitivas. Com isso, permite considerar, de forma estruturada, os aspectos de ordem local, regional  e global que estão afetando diretamente os resultados do negócio, bem como responder às novas demandas da sociedade. A seu ver, essa gestão possibilita ainda reduzir custos de capital, ao permitir a redução do spread ao gerar menos risco; e contempla os interesses dos diferentes stakeholders.

Em sua participação no BW Talks, o consultor em sustentabilidade e cofundador da Liga do Araguaia comentou que haverá dois tipos de empresas daqui a cinco anos: aquelas que contribuem para um mundo melhor, ou seja, que incorporam a sustentabilidade em sua estratégia, com um plano consistente, demonstrando resultados com métricas passíveis de validação, e as outras companhias. Para exemplificar, ele citou empresas com essa visão, como a Native (açúcar orgânico), Grupo Roncador (Integração Lavoura-Pecuária) e Carrefour (até 2030, venda de ovos produzidos em sistema livre de gaiolas). “São empresas que buscam a rentabilidade econômica para a manutenção de seu negócio, mas com a preocupação de atender o meio ambiente e as pessoas”, acrescentou.

No caso da Liga do Araguaia, Pedreira afirmou que é a pecuária sustentável na prática. Criado em 2015 por pecuaristas do Médio Vale do Araguaia Matogrossense, o movimento promove o desenvolvimento econômico e social da região, por meio do aumento da produtividade e renda, respeitando a legislação vigente e os limites dos sistemas naturais. A iniciativa se materializa na forma da implantação de diferentes projetos concebidos e implantados em parceria com organizações públicas e privadas; nacionais e internacionais.

Alguns projetos do movimento são o Carbono Araguaia, parceria da DOW já finalizada, que monitorou por cinco anos 24 fazendas, num total de 80 mil hectares (ha) de pastagens e obteve a redução de 282.690 toneladas de CO2 equivalente, após a adoção de práticas de pecuária sustentável; Garantia Araguaia, com o Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), para monitoramento, reporte e verificação (MRV) de práticas produtivas, socioambientais e emissões de gases de efeito estufa em 13 fazendas. São avaliados 144 quesitos, sendo 125 em boas práticas e 19 em carbono; o projeto BC Araguaia, com a Embrapa Gado e Corte, para análise de modelos de intensificação de pastagens e Integração Lavoura-Pecuária (ILP) adotados pelas fazendas da Liga do Araguaia, visando a validação futura através do protocolo Carne Baixo Carbono (CBC).

Ele comentou também sobre o projeto Rebanho Araguaia, uma parceria com a JBS/Friboi, que oferece ferramentas de gestão econômica e produtiva e de boas práticas de 32 fazendas da Liga ao longo do período de três anos e do Conserv Araguaia, uma parceria com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), para compensação financeira à produtores rurais com excedentes de Reserva Legal. Já são 8 fazendas pré-selecionadas em processo de contratação.

Por fim, Pedreira citou pesquisa recente da Embrapa sobre 10 megatendências da pecuária de corte no Brasil. Segundo técnicos da Embrapa envolvidos no trabalho, estima-se que nos próximos 20 anos, 50% dos 1,4 milhão de pecuaristas deixarão a atividade por não acompanharem a acelerada modernização já observada no segmento, por motivos como falta de capacitação, apoio, educação, financiamento, não adoção das novas tecnologias. “Por isso, precisamos pensar em ações que promovam a inclusão desse grupo. É preciso dar condições para que eles sejam inseridos na atividade de alguma forma”, explicou. Um exemplo dado por ele e objeto de uma das iniciativas da Liga do Araguaia foi o desenvolvimento do turismo ambiental e ecológico, de enorme potencial na região para trazer dinamismo às fazendas do Vale do Araguaia, gerando empregos e atividade de serviços para a comunidade.

O BW Talks Produzir e Conservar. É possível? está disponível no site oficial do Movimento BW.