Associação Brasileira de Tecnologia
para Construção e Mineração

Modelo de negócios baseado na economia circular precisa ser estimulado por países, empresas e sociedade

O modelo de negócios baseado na economia linear (extrair, produzir e descartar) não se sustenta mais, uma vez que vem gerando graves problemas ambientais em todo o planeta. É necessário buscar uma transformação, no qual haja o equilíbrio do negócio, do meio ambiente e da sociedade, pois esses três fatores se inter-relacionam e são interdependentes.

“Se não houve a migração para a economia circular, as organizações terão grande dificuldade de permanecerem no mercado”, disse o Regional Environment Health Safety Manager (EHS) - South America da CNH Industrial, Fabio Belasco, durante o BW Talks Resíduos Sólidos: Sem Futuro, promovido no dia 9 de dezembro. Isso porque haverá um aumento na demanda do consumo nas próximas décadas, devido ao crescimento populacional e o aumento de famílias na classe média. “Da onde virão os materiais e os recursos para suprir essas necessidades? Por isso, grandes organizações estão se mobilizando e colocando em prática planos e iniciativas para avançar nos temas sustentabilidade e circularidade”, acrescentou.

Nesse sentido, ele citou a criação de um grupo de trabalho de economia circular no âmbito da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), que possibilitou um intercâmbio de conhecimento dessa prática em outras áreas de negócios. “Economia circular não se faz somente da porta para dentro, é preciso ter abertura e convidar outras empresas para fazerem parte dessa cadeia, pois o que é resíduo para minha empresa, pode ser matéria-prima para outra companhia. É nessa conexão entre partes interessadas é que se cria um movimento de reaproveitamento dos materiais”.

Para exemplificar como essa parceria entre empresas pode ser benéfica, Belasco falou sobre uma iniciativa da CHN Industrial para coletar e entregar isopores – material de difícil reciclagem – para uma empresa que retorna com um novo produto para ser reutilizado pela multinacional. A seu ver, esse exercício contínuo de olhar com viés de sustentabilidade permite encontrar oportunidades.

Durante o evento online do Movimento BW, iniciativa da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), ele comentou ainda sobre a importância de inserir sua cadeia de fornecedores nesse processo. Para isso, a CNH Industrial criou um programa para que esses parceiros apresentassem projetos voltados para redução de impacto ambiental, nas áreas de resíduos, energia e água, incentivando a troca de informações e a implementação desses projetos.

Um ponto trazido por Belasco foi a importância do planejamento para que as obras tenham menor impacto ambiental, diminuindo, sobretudo, o desperdício de materiais e aumentando o potencial de reciclagem. A seu ver, as novas tecnologias e os sistemas construtivos industrializados podem ajudar nesse processo; assim como a servitização, no qual a empresa fornece uma solução para um serviço específico.

Por fim, ele falou sobre o desenvolvimento de produtos mais sustentáveis, especialmente, quanto à eficiência energética, que contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa; as tendências de eletrificação no setor e o uso de combustíveis não fósseis.

O BW Talks Resíduos Sólidos: Sem Futuro está disponível no site oficial do Movimento BW.