Associação Brasileira de Tecnologia
para Construção e Mineração

Mudanças climáticas devem ser percebidas como risco para os negócios no setor da construção 

As mudanças climáticas são uma realidade. As pesquisas científicas comprovam a alteração no clima e como o aumento da temperatura está impactando o planeta. Na avaliação de Marcia Menezes, diretora do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE) - Unidade de Inovação e Tecnologia, o mundo está se mobilizando para segurar o ritmo do aumento dos níveis da temperatura, a fim de manter o desenvolvimento sustentável das atividades.  

"As ações que começaram com os governos, se estenderam para as empresas e para os investidores. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) percebeu que se o setor financeiro não assumisse a questão e olhasse para além dos riscos econômicos, ou seja, buscando conhecer os riscos sociais e ambientais, não haveria uma evolução nesse sentido”, contou Marcia, durante o BW Talks ESG: A Nova Ordem no Setor da Construção, promovido no dia 19 de maio. 

No caso da construção, a diretora do CTE ponderou que há uma evolução na área ambiental, atendendo aos parâmetros ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa), apesar das dificuldades decorrentes de o ciclo de vida das construções ser mais longo, podendo durar décadas. A seu ver, o setor tem apostado nas certificações, mostrando um movimento para trazer soluções mais eficientes em termos de sustentabilidade para as edificações. Já na infraestrutura, as iniciativas são puxadas, principalmente, pelas concessionárias.  

Márcia analisou ainda que a construção impacta diretamente o meio ambiente em diversos pontos, mas, principalmente, na geração de resíduos e no uso do solo, pois modifica a biodiversidade e o ecossistema locais para inserir uma construção naquele ambiente, seja um empreendimento imobiliário ou uma obra de infraestrutura. 

Além da questão ambiental, a diretora do CTE também comentou sobre as diretrizes social e de governança. “A geração de empregos é um aspecto social importante da construção. Porém, isso não pode ser impeditivo para trazer tecnologias aos canteiros de obras e às indústrias e buscar a industrialização. Outro ponto é que o setor traz o produto habitação para clientes que antes não teriam a capacidade de adquirir um imóvel. Além disso, ela é um grande viabilizador de outras questões sociais importantes para o Brasil, como estimular uma melhor qualidade de vida, de saúde e de acessibilidade”, explicou.  

Sobre a governança, Marcia comentou que esse aspecto precisa ser fortalecido dentro das instituições. “De um modo geral, as empresas precisam trazer seus princípios, como transparência, comportamento ético, prestação de contas, normas contra corrupção e suborno”, disse a especialista, que acrescentou que “culturalmente, as empresas crescem, mas sem implantar internamente uma organização de governança, a fim de seguir nos caminhos sociais e ambientais e para a melhoria de processos. A governança contribui para se ter uma boa reputação”.  

Durante o evento online do Movimento BW, iniciativa da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), Márcia avaliou ainda que as empresas precisam interpretar a questão do ESG conforme as prioridades de seus stakeholders. “O ESG é uma grande cesta que possibilita encaixar as principais preocupações, independentemente do tamanho do negócio e do tipo de atividade”.  

Por fim, a diretora do CTE comentou sobre as cidades sustentáveis, uma vez o parque construído é grande e valorizado no Brasil e, em algum momento, haverá uma renovação desse parque, seja através do retrofit, da substituição da área ou de outra técnica. “As áreas novas já vêm com conceitos de acessibilidade, mobilidade, conectividade e bem-estar. Por isso, temos que encontrar caminhos para usufruir de áreas “menos cinzas”, até por conta da questão energética. As construções mais antigas não são tão eficientes no seu consumo”. 

O BW Talks ESG: A Nova Ordem no Setor da Construção está disponível no site oficial do Movimento BW.