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Publicado em 03 de abril de 2025 por Mecânica de Comunicação

Manejo florestal comunitário pode ser aprimorado com uso de geotecnologias

Dentro das perspectivas de Plano de Manejo Florestal Sustentável - PMFS, há o Plano de Manejo Florestal Comunitário Sustentável – PMFCS que é caracterizado pela participação efetiva das comunidades tradicionais, no gerenciamento e manejo das áreas florestais como uma maneira de usufruir do uso da terra e recursos naturais onde residem.

O manejo florestal comunitário se diferencia significativamente da visão puramente econômica e de mercado que orienta o manejo florestal empresarial. As comunidades que dependem diretamente das florestas, relacionam-se com esse recurso a partir de diferentes perspectivas. Por exemplo, elas podem considerar as florestas como algo de valor espiritual (local onde viviam seus antecedentes, especialmente pelos indígenas), ou como um recurso capaz de satisfazer as necessidades físicas, sociais e econômicas, de forma individual ou coletiva.

Estudos recentes na América Latina têm fornecido uma compreensão mais ampla sobre a funcionalidade no planejamento de manejo florestal comunitário. Essas informações têm levado a um reconhecimento crescente da sua viabilidade e importância para o funcionamento de muitos sistemas de produção rurais. Ademais, em larga escala populacional, comunidades dependem diretamente da extração e produção de manejos voltados para a Amazônia brasileira e continuarão dependendo das florestas para a sua sobrevivência no futuro próximo.

Nesse cenário, as comunidades que habitam as florestas estão se convertendo em reconhecidas aliadas e gestoras importantes dos recursos florestais. Para os pequenos agricultores e habitantes tradicionais, as florestas representam não apenas uma fonte contínua de diversos produtos madeireiros e não-madeireiros (madeira, frutas, caça, plantas medicinais, óleos e resinas), mas também um depósito de nutrientes. Um estudo originado na região do Sudeste do Pará, em Marabá, identifica relações fortificadas entre a permanência das famílias nos lotes e a existência de recursos florestais. Este conhecimento também relata a dinâmica dos sistemas de produção praticados por famílias de agricultores familiares em região de fronteira em que se constatou a relação como componente estratégico para as famílias.

Vale ressaltar que a agregação da autonomia das comunidades, o aprimoramento do manejo comunitário e a inserção de técnicas, aliadas a geotecnologias em rastreamentos precisos, tendem a assegurar melhores resultados ambientais e de produtividade florestal. O uso de geotecnologias possibilita a obtenção de informações históricas georreferenciadas e análises temporais e espaciais do ambiente. Portanto, o geoprocessamento apresenta um enorme potencial e até mesmo, a solução para problemas rurais no que diz respeito à produção não rastreada de áreas permanentes.

Na Amazônia, há diversas comunidades que podem ser beneficiadas com melhorias do manejo florestal comunitário. A Reserva Extrativista - RESEX Verde para Sempre, localizada no município de Porto de Moz, criada em 2004, teve seu plano de manejo aprovado em 2020, quase 16 anos após a sua criação. Com uma abrangência cerca de 1.289.362,78 hectares, a Resex Verde para Sempre tem características do bioma amazônico e, como atividades principais dos moradores, isto é, a pesca, a criação de animais de pequeno porte, a alimentação de subsistência e a extração de madeira proveniente de planos de manejo comunitários aprovados pelo órgão gestor da unidade.

As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Aplicação de geotecnologias em manejo florestal comunitário, defendida por Jahnyffer Teixeira de Moraes, na Universidade Federal Rural da Amazônia, sob orientação da professora Lina Bufalino.