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Publicado em 08 de julho de 2019 por Mecânica de Comunicação

Integração entre luz natural e artificial é técnica tradicional e sustentável

O consumo de energia é um dos principais pontos do desenvolvimento sustentável e está presente tanto na execução de obras quanto na fase de uso das mesmas. Para esse último ponto, uma solução atualmente em alta nos projetos arquitetônicos é o aproveitamento da luz natural. A importância desse tipo de luz na concepção de projetos transcende a necessidade de redução do consumo de energia, sendo associada também ao conforto e ao conceito de qualidade ambiental.     

Embora resgatada nos últimos anos, a técnica de aproveitamento de luz natural no espaço interno de edificações é usada há tempos na história da arquitetura. Um exemplo é a Catedral de Notre-Dame, cuja construção foi iniciada no século XII e emprega vitrais para filtrar a luz solar; outra referência é o Palácio de Versalhes, do século XVII, com galerias iluminadas por meio de grandes janelas. Em projetos arquitetônicos que valorizam a luz natural, antigos ou contemporâneos, são muito importantes os componentes de condução, ou seja, espaços intermediários ou internos que conduzem e distribuem a luz natural do exterior ao interior do edifício, como pátios, átrios e galerias. Também estão presentes os componentes de passagem, sendo as janelas os mais tradicionais; na categoria, há também as aberturas zenitais, que proporcionam uma distribuição mais uniforme da luz natural interna se estiverem distribuídas de maneira proporcional pela cobertura.    

Os elementos de controle também são importantes e servem como filtros e barreiras para proteger os ambientes; podem ser externos ou internos às aberturas, sendo os primeiros mais eficientes para o bloqueio de radiação solar antes da penetração no ambiente interno; já no segundo tipo, a radiação solar atravessa a superfície separadora (vidro ou policarbonato) e atinge o elemento de controle interno que irá refletir parte da radiação de volta para fora, mas também absorverá outra parte da radiação que será convertida em calor e irradiada no interior do ambiente. Uma vez decidido os componentes e elementos, deve-se definir o sistema de controle da iluminação artificial em resposta à luz natural, pois o aproveitamento dessa está ligado diretamente à economia de eletricidade. Tais sistemas têm ação automática para controle de acionamento da luz artificial em função da luz natural disponível no ambiente. A interação do usuário, uso do local e horários de funcionamento são pontos de consideração para a escolha do melhor sistema.         

Por fim, projetistas devem considerar diferentes métodos de cálculo para integração da luz artificial e natural, sendo um dos mais conhecidos a Iluminação Artificial Suplementar Permanente em Interiores, PSALI na sigla em inglês. A dissertação de mestrado Integração de Iluminação Natural e Artificial: Métodos e Guia Prático para Projeto Luminotécnico, de autoria de Beatriz Toledo com orientação de Cláudia Amorim, foi aprovada pela Universidade de Brasília (UnB) e traz mais detalhes sobre o assunto.            
 

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