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Publicado em 23 de janeiro de 2020 por Mecânica de Comunicação

A importância do planejamento bioclimatológico na arquitetura

O consumo cada vez maior de recursos renováveis e não renováveis  e a emissão de poluentes na forma de resíduos sólidos, líquidos e gasosos são duas preocupações atuais do planeta. Na construção e na arquitetura, essa realidade também está presente.

Nesse sentido, o planejamento bioclimatológico é condição primordial para restaurar a qualidade ambiental da arquitetura, bem como uma das diretrizes para alcançar a sustentabilidade da habitação, seja no contexto urbano ou rural. 

A arquitetura bioclimática consiste na adequada e harmoniosa relação entre o ambiente construído, o clima e seus processos de troca de energia, tendo como objetivo final o conforto ambiental humano. É indubitável o papel das áreas verdes urbanas como responsáveis pela preservação de parte da fauna e flora nativa, bem como o fornecimento de serviços ambientais como manutenção da qualidade do ar, solo e água, pela mitigação da formação de ilhas de calor.

Um dos arquitetos referência no assunto é Severiano Mário Porto que realizou diversos projetos na Amazônia central, sendo um deles o Campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Sua obra aponta meios para uma concepção arquitetônica embasada no ambiente em que se insere, sobretudo quanto ao respeito pelos elementos particulares da realidade amazônica, pioneirismo e visão ecológica que o consagraram a nível nacional e internacional.

A importância do Campus como integrante da Área de Proteção Ambiental – APA UFAM se dá não apenas por sua vulnerabilidade em meio ao perímetro urbano de Manaus, mas por atualmente corresponder a um dos maiores fragmentos verdes urbanos no Brasil, o que aponta para a necessidade de tornar esse fragmento objeto de maiores estudos científicos

Nesse projeto, o arquiteto optou por estrutura mista, com vigas e pilares metálicos pré-montados e em concreto aramado, vedação em alvenaria, esquadrias em madeira de cedro/angelim tratados, divisórias em laminado melamínico e cobertura em fibrocimento.

A pavimentação restrita e a abundância de coberturas foram justificadas pela adequação à alta pluviosidade e constante insolação, características da região amazônica, assim como a mata circundando campus por amenizar o microclima do entorno e evitar a caracterização do Campus como canteiro durante as frentes de obras posteriores. As edificações tipo, tanto do Instituto de Ciências Humanas e Letras – ICHL quanto da Faculdade de Tecnologia –, foram concebidas análogas e modulares, o que possibilitou as futuras mudanças internas de layout e a inserção de novos blocos durante a expansão do Setor Norte, quando foram adicionadas as tipologias das edificações de três e de quatro pavimentos.

As considerações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Arquitetura Bioclimática na Amazônia: um estudo da obra de Severiano Mário Porto no setor Norte do Campus UFAM, defendida por Ariele Luckwü Mendes, no Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Amazonas, sob orientação do professor Genilson Pereira Santana.
 

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