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Publicado em 12 de março de 2020 por Mecânica de Comunicação

Inventário é o passo inicial para elaboração de um programa de emissões de GEE no agro

Em todo o planeta, há evidências que as ações humanas podem comprometer gerações futuras. A poluição existente nas grandes metrópoles do mundo, desconformidades climáticas, a falta de águas em condições de consumo, as doenças que surgem a partir de alterações ambientais, entre outros são alguns desses sinais.

No caso do aquecimento global, a concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera tem aumentado significativamente, como exemplo está que entre os anos de 1970 a 2004 houve uma alta de 70% destas emissões. 

Neste cenário se destaca o agronegócio, o Brasil tem se mostrado um grande produtor de produtos agrícolas como grãos, carnes, derivados entre outros. Porém, quando os volumes de produção de alimentos aumentam os mesmos carregam consigo os impactos ambientais do processo, entre ele, as emissões de gases de efeito estufa.

Assim, para reduzir o impacto ambiental das atividades do agronegócio, o inventário é o passo inicial para a elaboração de um programa de gerenciamento das emissões de GEE, possibilitando conhecer o perfil das emissões da organização. A partir desse conhecimento, é possível gerir as informações fundamentais para que sejam priorizadas atividades e elaboradas estratégias mais eficientes para inserção da empresa na economia de baixo carbono.

O inventário quando vinculado ao conceito de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) traz à promessa de criação de valor de longo prazo ao acionista. Notam-se ações paralelas providas pelos stakeholders (partes interessadas) onde têm solicitado às companhias agir de forma socialmente responsável com o meio ambiente, com exigências de redução da poluição mais rígidas que a estabelecida pela Política Nacional sobre Mudanças Climáticas (PNMC) de 2009. 

Um ponto importante também é o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que prevê a redução certificada das emissões. Uma vez conquistada essa certificação, quem promove a redução da emissão de gases poluentes tem direito a créditos de carbono e pode comercializá-los com os países que têm metas a cumprir.

Em específico para o agronegócio, principalmente na área de proteína animal, a Declaração Ambiental de Produto (DAP) é necessária para atender alguns mercados externos.  

Para fazer o inventário, uma das metodologias é o GHG Protocol, que é a ferramenta mais utilizada mundialmente pelas empresas e governos para entender, quantificar e gerenciar suas emissões. A ferramenta foi desenvolvida pela WRI (World Resources Institute) em parceria com o WBSCD (World Business Council for Sustainable Development). Essa ferramenta oferece diretrizes para contabilização de GEE, sendo modular e flexível e oferecendo neutralidade em termos de políticas ou programas. 

Desse modo, ao fazer um inventário, aprimora-se a gestão estratégica, valorizando e influenciando positivamente a sua cadeia de valor. Tem-se, também, a oportunidade de publicar em futuros relatórios de sustentabilidade atendendo as oportunidades de mercado. Muito importante também destacar, que essas práticas possibilitam o acesso das empresas a linhas de créditos baseadas em mecanismos verdes que podem ser vantajosas em termos de mercados pela condição oferecida a empresas com práticas sustentáveis

As considerações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Quantificação e Análise das Emissões de Gases de Efeito Estufa em Processos da Cadeia Avícola defendida por Gérson Dalcin, no Programa de Pós-Graduação em Sistemas Ambientais Sustentáveis, da Universidade do Vale do Taquari – Univates, sob orientação da professora Liana Johann.

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