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Publicado em 09 de julho de 2020 por Mecânica de Comunicação

Reciclagem do gesso é fator para o desenvolvimento sustentável

A visão tradicional de preservação ambiental baseada apenas no controle de poluição, utilizada para o tratamento, minimização e inertização de resíduos, atua na remediação dos efeitos da produção, mas não garante a ecoeficiência e a sustentabilidade ambiental.

Nesse sentido,  produção de placas de forro de gesso reciclado é uma forma de utilização dos resíduos na produção de materiais que os originou. O Brasil está entre os 20 maiores produtores mundiais de gesso, que é largamente utilizado como material de acabamento, especialmente na produção de placas de forros e elementos decorativos.

A reciclagem é um fator preponderante para o desenvolvimento sustentável, devendo consumir um mínimo de energia. No caso da reciclagem do gesso deve produzir um material com propriedades físicas e mecânicas de qualidade equiparada ao do gesso comercial e deverá ser economicamente viável. Uma pesquisa produziu blocos de vedação utilizando agregados provenientes de resíduos de construção civil, com adição de 10% de cimento e 30% de gesso reciclado e concluiu que, embora os agregados fiquem visíveis e o gesso pode ser identificado com clareza no material produzido, o aspecto que os blocos apresentam é compatível com o dos blocos comerciais. Os testes de resistência mecânica, absorção de água, e isolamento acústico e térmico comprovam a viabilidade técnica de produção. P

Desse modo, é plenamente possível a reutilização dos resíduos de gesso hidratado para a produção de diferentes materiais, como placas de forro e elementos de decoração, sem prejuízo das propriedades necessárias e com aspectos visíveis semelhantes. Esta conclusão é resultado de outro trabalho científico brasileiro, em que comparou as características físicas e químicas entre o gesso comercial (natural) com as do gesso reciclado.

A viabilidade econômica da reciclagem dos resíduos de gesso depende de uma variedade de fatores, como os custos de destinação em aterros, coleta, transporte e processamento e também da aceitação pelo mercado dos produtos fabricados com o gesso reciclado.

Nesse sentido, uma das formas de reciclagem do gesso consiste em recuperar a capacidade aglomerante, através da desidratação ou calcinação (CaSO4.2H2O + E ® CaSO4.1,5H2O + 0,5H2O) e utilizá-lo na produção de placas ou como revestimento.

O processo está dividido comumente em seis etapas: gestão, coleta e separação dos resíduos, processamento, controle de qualidade e comercialização. Assim, para possibilitar a realização do processo de reciclagem do gesso, é importante a segregação do resíduo e o controle de contaminação no momento da geração, medida que depende da conscientização dos gestores das empresas especializadas em gesso, dos construtores e demais atores envolvidos.

Os estudos realizados na dissertação de mestrado Produção de placas de forro com reciclagem do gesso, defendida por Olindo Savi, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Urbana da Universidade Estadual de Maringá, sob orientação do professor Rafael Alves de Souza, indicam que o gesso é tecnicamente reciclável e que é possível a sua utilização na produção de placas de forro.

As placas produzidas com gesso reciclado apresentaram aspectos de cor e resistência física e mecânica compatível com a obtida com o gesso comercial. As características físicas e mecânicas do gesso reciclado, de forma geral, são compatíveis ou superiores às do gesso comercial. As pastas de gesso reciclado, por apresentar um aspecto mais viscoso, confere-lhe maior trabalhabilidade.

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