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Publicado em 01 de outubro de 2020 por Mecânica de Comunicação

Sistemas integrados no agronegócio garantem ganho de produtividade e preservação ambiental

Quando o assunto é mudança climática, a agricultura fica em destaque. Além de ser uma atividade emissora de gases de efeito estufa (GEE), contribuindo para o aquecimento global, é também muito sensível a mudanças climáticas. Por este motivo é imprescindível a adoção de uma agricultura de baixa emissão de carbono e, igualmente, o desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir os impactos negativos ixa emissão de carbono, foi criado o Programa para Redução da Emissão de Gases de Efeito Estufa na Agricultura (Programa ABC), como um instrumento de incentivo de crédito.

Esse programa está inserido no Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC), que tem como objetivo específico incentivar a adoção de Sistemas de Produção Sustentáveis que assegurem a redução de emissões de GEE e elevem simultaneamente a renda dos produtores, sobretudo com a expansão das seguintes tecnologias: Recuperação de Pastagens Degradadas; Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs); Sistema Plantio Direto (SPD); Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN); e Florestas Plantadas.

Para a efetividade do Programa e do Plano ABC, é de grande importância a conscientização do agricultor brasileiro quanto à preservação do meio ambiente, a fim de estabelecer um cenário onde a agropecuária sustentável seja devidamente valorizada. É notável também falta de conhecimento e informação sobre os potenciais benefícios econômicos e ambientais quando são abordados os Programas propostos pelo Plano ABC.

Nesse sentido, os sistemas integrados são uma alternativa para garantir o ganho de produtividade, já que as áreas passam a ser exploradas ao longo de todo o ano. Além disso, observa-se sinergia entre as atividades desenvolvidas em uma mesma área. No trabalho “Estoque de carbono em solos sob pastagens cultivadas na bacia hidrográfica do rio Paranaíba”, constatou-se que em locais nos quais houve recuperação de pastagens pôde-se observar menor densidade do solo quando comparados a áreas de pastagem degradada, permitindo um solo mais estruturado, com maior porosidade, que favorece maior infiltração de água, garantindo níveis de umidade maiores, além de reduzir o escoamento superficial de água.

Já a Integração Lavoura-Pecuária possibilita, além dos benefícios proporcionados pela reforma de pastagem, a realização do Sistema de Plantio Direto (SPD), que garantirá maiores teores de umidade no solo por períodos mais longos. Quando a integração é realizada com o plantio de soja (ou outras espécies capazes de realizar fixação biológica de nitrogênio), tem-se também aumento da produtividade em decorrência da melhora de propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, já que haverá fixação biológica de nitrogênio. Esses fatores unidos tendem, em próximo ciclo, gerar maior produção de pastagem e consequentemente maiores taxas de lotação de pastagem, além de maior ganho de peso/ha.

Ao acrescentar o componente florestal à integração de culturas (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), além de se aumentar o potencial de sequestro de carbono, há melhor desempenho animal (ganho de peso ou produção de leite) causado pelo bem-estar proporcionado pelo sombreamento de algumas áreas.

As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Custo de Mitigação das Tecnologias de Baixa Emissão de Carbono: Integração-Lavoura-Pecuária e Recuperação de Pastagens Degradadas, defendida por Tatiana Claro Caruso, na Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas – EESP – FGV, sob orientação do professor Angelo Costa Gurgel.

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