Publicado em 26 de fevereiro de 2026 por Mecânica de Comunicação
No Brasil, embora a prática de captação, preservação e aproveitamento de água da chuva seja histórica, ela torna-se mais relevante e objeto de interesse científico a partir de sua inclusão como o quarto objetivo da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), em 30/10/2017, pela Lei nº 13.501, por meio de medida provisória.
De fato, nos últimos anos vem aumentando o número de famílias beneficiadas por projetos de armazenamento de água da chuva em cisternas – uma fonte complementar de água para a convivência com a seca. Contudo, estudos têm apontado vários obstáculos ao correto uso e à adequada forma de manutenção do sistema por parte das famílias, dadas algumas práticas e concepções equivocadas. Se antes era fundamental discutir, analisar e aperfeiçoar as práticas de captação e armazenamento de água da chuva, agora, como política pública, é necessária avaliação mais sistemática, com controle e transparência dos resultados.
O armazenamento e uso de água da chuva para aproveitamento é uma prática antiga e especialmente importante. Em Istambul, na Turquia, são conhecidas aproximadamente 160 cisternas da época bizantina. Como prática moderna, dados indicam que mais de 10% da população da Nova Zelândia depende de água da chuva coletada em seus telhados para o consumo humano. A prática é popular especialmente nas áreas rurais do país, que não são abastecidas por redes municipais de abastecimento de água, e por serem esses reservatórios considerados uma fonte de água pura e segura para beber.
No Brasil, a iniciativa de construir cisternas ocorreu com a união entre as famílias moradoras do semiárido e o apoio de organizações de base. O resultado positivo desencadeou uma série de iniciativas da sociedade civil em relação à construção de cisternas de cimento, que culminou em propostas concretas para que o Estado implementasse políticas públicas para a região.
A instalação do reservatório é acompanhada de tubos, calhas, dispositivos de limpeza para a coleta, o armazenamento e a retirada da água, formando assim um sistema de aproveitamento de água da chuva. O uso da cisterna é caracterizado pela destinação dada à água coletada e armazenada, seja para fins mais nobres, como o consumo humano, preparo de alimentos e higiene pessoal, ou para limpeza e dessedentação dos animais. A destinação do recurso varia conforme a necessidade de cada família e as condições de cada local. Em qualquer caso, para o tratamento da água armazenada para consumo humano é necessária a aplicação de técnicas complementares.
Por último, a manutenção é fundamental e constitui-se em ações contínuas de reparo e limpeza dos componentes, como calhas, filtros, bomba e reservatório, e é um desafio, independente do sistema implantado. Elementos essenciais e que, dependendo das condições de funcionamento, são capazes de garantir ou prejudicar o uso final do sistema e a qualidade da água.
Portanto, para o funcionamento adequado dos componentes é importante a capacitação das famílias envolvidas, para que assumam a conservação das cisternas e tenham autonomia nessa tarefa. Esse é um ponto essencial para evitar práticas e concepções equivocadas, muitas vezes reproduzidas. Nesse sentido, o uso e a manutenção do sistema têm relação direta com a capacitação técnica da comunidade.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Cisternas de aproveitamento de águas pluviais: relação entre a conservação dos sistemas e o envolvimento e capacitação das famílias, defendida por Patricia Benezath Herkenhoff, no Programa de Pós-Graduação Profissional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos / Profágua da Universidade Federal do Espírito Santo, sob orientação da professora Desirée Cipriano Rabelo.
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