Publicado em 04 de junho de 2026 por Mecânica de Comunicação
A expansão da malha urbana, ao alterar a dinâmica físico-espacial de uma cidade, impõe como desafios a necessidade de se garantir a qualidade ambiental das habitações formadas e ofertar condições saudáveis de vida à população que reside nesses espaços. Para se adequar à lógica de crescimento populacional e suprir a demanda por moradia, o espaço que compreende a cidade é constantemente dilatado. Essa ampliação perpassa pela esfera da vida cotidiana dos seus habitantes, refletindo em mudanças que apontam para a importância de se pensar a cidade mediante o planejamento e ordenamento do espaço urbano.
Projetar e direcionar o crescimento da cidade é um exercício contínuo. Quando bem executado, os gestores municipais conseguem amenizar os impactos provocados pelo processo da expansão urbana sobre o meio físico, ao mesmo tempo em que criam condições favoráveis à oferta de qualidade socioambiental à população. A falta de gestão urbana, por sua vez, aumenta as desigualdades no que se refere às formas de uso e ocupação do solo, resultando na desorganização do processo de estruturação das cidades.
Na configuração da paisagem urbana, os espaços públicos são concebidos através de formas físicas que englobam o sistema viário, as áreas de uso institucional, as áreas verdes e as áreas de lazer. Apesar de se constituírem como partes do espaço urbano livre e aberto, a consumação de um espaço público só ocorre quando o seu uso é compartilhado por indivíduos que não possuem nenhum tipo de vínculo afetivo, mas que passam a interagir entre si. Ambos, encontram-se unidos à uma estrutura que garante a cooperação e a independência de julgamentos e manifestações entre aqueles que compartilham desse tipo de espaço.
Diante do desenho que se forma com a expansão do espaço urbano, as áreas verdes constituem importante requisito urbanístico a compor parte do percentual de espaços destinados ao uso público e uso comum em um loteamento. No ordenamento urbano os serviços por elas ofertados ajudam a atenuar os efeitos do processo de expansão da cidade marcado pela falta de planejamento e pela inexistência de políticas públicas que agregam melhorias à qualidade de vida coletiva.
A exemplo de Montes Claros, o padrão de urbanização que norteou o seu crescimento impôs profundas transformações ao espaço físico da cidade mediante a abertura de novos loteamentos. Entretanto, os loteamentos criados para atender a parcela crescente da população não priorizaram em suas estruturas a alocação de espaços para a conservação de aspectos naturais com expressivo valor ambiental.
A ausência de uma infraestrutura verde proporcional à ampliação das ocupações sobre o solo urbano, alterou as características naturais do espaço, reduzindo a capacidade de infiltração das águas pluviais e acentuando as sensações térmicas locais. Em diferentes regiões da cidade os espaços livres existentes, quase que em sua maioria, foram implantados a partir do aproveitamento das sobras das quadras nas divisas de loteamentos. Além da baixa qualidade ambiental, os elementos componentes desses ambientes se mostraram insuficientes para atender as necessidades da população quanto a disponibilidade de espaços de convivência onde se estabelecem as trocas sociais e demais práticas cotidianas.
A solidez da infraestrutura verde de uma cidade deve ser garantida com o mesmo grau de prioridade que o acesso à educação, saúde, segurança e saneamento básico. Quando ordenadas em sintonia com o espaço urbano, as áreas verdes respondem pela melhoria da qualidade ambiental da cidade desempenhando funções que geram benefícios à saúde e ainda fomentam o bem-estar da população.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Áreas verdes e funções socioambientais: uma análise da infraestrutura verde do Grande Maracanã, Montes Claros - MG, defendida por Carlos Henrique Silva Alves, no Programa de Pós-graduação em Geografia, da Universidade Estadual de Montes Claros, sob orientação do professor Carlos Alexandre de Bortolo.
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