Publicado em 18 de junho de 2026 por Mecânica de Comunicação
O grau de contaminação atmosférica define a quantidade de compostos tóxicos potencialmente absorvidos em humanos via inalação, e está relacionado ao nível de urbanização, ao tráfego veicular, ao tipo de atividade industrial da área e da quantidade de queima de biomassa.
Dentre esses compostos, os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) possuem papel de destaque nos estudos de contaminação ambiental. Oriundos da combustão incompleta de matérica orgânica (queima de biomassa e de combustíveis fósseis), os HPAs são compostos considerados altamente poluentes e estão relacionados ao aumento da incidência de diversos tipos de câncer nos seres humanos por seu caráter carcinogênico e mutagênico, além de alergias respiratórias, asma, irritação nas mucosas e redução das funções pulmonares.
A combustão de madeira ainda é a principal fonte de emissão de HPAs (90% do total de emissões) no Brasil, mas a atividade petrolífera (produção, refino, transporte) tem aumentado sua influência nesse cenário, com emissões sendo intensificadas com frequência. No caso de Macaé, com seu processo de urbanização intimamente ligado ao desenvolvimento da indústria petrolífera, o petróleo desempenha papel de destaque ainda maior.
Estudos prévios em regiões densamente povoadas encontraram altas concentrações de HPAs no estado gasoso. Na Baía de Narragansett (EUA), as concentrações variaram de 2,0 a 110 ng.m-3 e nos Lagos Superiores (EUA) variaram de 2,0 a 97 ng.m-3. Em lagos na Antártica, onde as maiores concentrações de HPAs foram reportadas em amostras localizadas próximas à estação de pesquisa Russian Progress II, ou seja, com maior fluxo de pessoas.
No Brasil, um estudo recente feito em regiões montanhosas apresentou concentrações totais de HPAs variando de 0,70 a 90 ng.m-3, mas a maior parte das concentrações é considerada baixa quando comparadas a regiões urbanizadas. Dentre os estudos feitos no Brasil, Cubatão, polo industrial no estado de São Paulo, foi a cidade que apresentou maior média de HPAs no material particulado, sendo 55 ng.m-3.
A quantidade de HPAs absorvida pelos seres humanos por inalação depende do grau de contaminação atmosférica, que está diretamente relacionado ao nível de urbanização, ao tráfego veicular e ao tipo de atividade industrial da área. Os HPAs interferem na função das membranas celulares e no sistema de enzimas associados a membrana. Áreas industriais e/ou com intenso tráfego de veículos são as mais suscetíveis ao aumento do risco de câncer por vias dermal e/ou inalatória.
O Benzo[a]Pireno (B[a]P) é um dos HPAs mais conhecidos e estudados. No começo da década de 70, ele já era considerado um composto altamente cancerígeno e com agravante de ter distribuição mundial. Tendo sido o único HPA já testado diretamente em animal (hamster), os indivíduos desenvolveram câncer de pulmão quando expostos a inalação de B[a]P. Indivíduos contaminados passam o composto para o feto, uma vez que o B[a]P tem a capacidade de atravessar rapidamente a barreira placentária. A legislação brasileira prevê como limite máximo 0,7 µg.L-1 de benzo[a]pireno em águas potáveis e 0,03 µg.L-1 nos alimentos, mas ainda não prevê um limite de exposição para o B[a]P atmosférico.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Concentração atmosférica de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos e estimativa de Benzo[a]Pireno-equivalente em área urbana/industrial litorânea - Estudo de caso: Macaé, RJ, Brasil, defendida por Camilla Szerman Euzebio, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação, Campus UFRJ-Macaé, Professor Aloísio Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob orientação da professora Rejane Corrêa Marques e coorientação do professor Rodrigo Ornellas Meire.
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