Publicado em 02 de abril de 2026 por Mecânica de Comunicação
O desenvolvimento urbano futuro está diretamente vinculado a como se dará a adaptação das cidades aos novos padrões de organização, harmonizando o trinômio água-solo-vegetação com as necessidades básicas das atividades humanas. Na visão do urbanismo ecológico, há uma preocupação em introduzir e manter os elementos naturais na cidade, fazendo da infraestrutura verde um mecanismo de resiliência na relação homem-natureza.
Mais recentemente, os sistemas de tratamento de esgoto com base ecológica vêm ganhando força. Essa tecnologia é livre de produtos químicos, sequestra carbono, permite o reuso e pode ser integrada ao paisagismo urbano local, promovendo valorização estética aliada à multifuncionalidade.
Essas estratégias buscam o equilíbrio entre a população e sua base ecológica, bem como incentivam a responsabilidade ambiental e a inovação científico-tecnológica por meio de alternativas “limpas”, ou seja, de baixo impacto. A meta é que a taxa de emissão de poluentes não supere a capacidade de absorção e transformação do ar, da água e do solo. As respostas arquitetônicas às demandas da cidade representam um agente de transição de um meio urbano insustentável para um meio urbano sustentável, por meio de um desenho estratégico e progressivo que integra pessoas, lugar e natureza.
A técnica de fitorremediação aplicada a estruturas projetadas mostra-se um processo natural, pouco intrusivo, eficiente e amplamente compatível com áreas verdes, como jardins e parques, compondo espaços de convívio e lazer, além de contribuir para o enriquecimento da biodiversidade local. Por ser um processo natural, apresenta também algumas adversidades, relacionadas à vulnerabilidade das plantas às variações climáticas, doenças e pragas.
Além disso, o sistema demanda um certo tempo para o completo amadurecimento, considerando o desenvolvimento das plantas e a formação de uma zona radicular robusta, de modo que a atuação ideal da fitorremediação não é imediata.
Uma das grandes vantagens na adoção desse sistema é a flexibilidade de tipologias e arranjos, bem como as diversas possibilidades de dimensionamento e desenho, de acordo com os objetivos de cada projeto. Ao projetar para metrópoles já consolidadas, por exemplo, onde o espaço é limitado, é possível considerar biovaletas integradas a jardins de chuva, alargando sua seção em determinados pontos e retornando, posteriormente, a uma seção mais estreita.
Os projetos de fitorremediação aplicados à arquitetura paisagística podem ser concebidos de modo a se integrar à paisagem, recriando áreas com aspecto natural. A composição estética e a integração dos jardins permitem a “revegetação” do local de implantação, ampliando as áreas verdes. Com o envolvimento do arquiteto, diferentes usos produtivos podem ser incorporados ao planejamento, tornando-o um projeto contínuo, no qual a fitorremediação se configura como elemento estruturador da paisagem.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado A fitorremediação como estratégia de projeto para a sustentabilidade urbana, defendida por Maria Estela Ribeiro Mendes, na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas, sob orientação da professora Silvia Aparecida Mikami Gonçalves Pina.
Av. Francisco Matarazzo, 404 Cj. 701/703 Água Branca - CEP 05001-000 São Paulo/SP
Telefone (11) 3662-4159
© Sobratema. A reprodução do conteúdo total ou parcial é autorizada, desde que citada a fonte. Política de privacidade