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Publicado em 02 de julho de 2020 por Mecânica de Comunicação

Energia eólica avança fortemente no Brasil

As fontes renováveis são alternativas promissoras para a produção de energia elétrica no mundo. O discurso ambiental em torno dos impactos negativos do uso de fontes derivadas de petróleo, como a emissão de gases do efeito estufa (GEE), tem reforçado a necessidade do uso de fontes mais limpas para a produção de energia.

Nesse sentido, a energia eólica tem exercido um papel importante para a diversificação da matriz elétrica e mitigação das mudanças climáticas, que requerem o uso de fontes alternativas de energia, menos prejudicais ao meio ambiente. Adicionalmente, o uso da fonte eólica contribui para a diminuição da dependência por combustíveis fósseis, aumenta a autonomia e segurança energética, melhora a economia local (oferta de empregos e investimentos), além da possibilidade de complementaridade com a hidrelétrica

Por isso, em termos mundiais, a fonte eólica tem aumentado sua participação ao longo dos últimos 20 anos, com destaque na China, nos Estados Unidos e na Alemanha, que atualmente representam os três países com maior capacidade instalada no mundo. Na América do Sul, destacam-se Brasil, Chile, Uruguai, Argentina e Peru – países com maior representatividade em capacidade instalada.

Para ampliar a adoção de energia eólica e outras fontes renováveis, políticas públicas e investimentos do setor privado são essenciais. Isso porque, essas fontes geralmente apresentam um custo mais elevado em relação às fontes convencionais de energia. Aspectos como o custo do investimento, riscos e preço da energia estão entre as principais barreiras que influenciam no interesse nas energias renováveis. Dessa forma, é necessário, por meio de políticas regulatórias, fiscais e tecnológicas, estabelecer instrumentos que viabilizem a expansão desse setor e atraiam investimentos.

No Brasil, o Programa de Incentivos às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA), criado em 2003, atraiu investimentos importantes para as energias renováveis, incluindo o setor eólico, impulsionando o aumento de sua capacidade instalada, através de incentivos.

Ele garantiu, entre outros aspectos, preços de energia elétrica proveniente dessa fonte abaixo do mercado, assim como possibilitou a entrada de tecnologias, através de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O PROINFA efetivou a entrada da energia eólica no Brasil, através da contratação de 54 projetos, com potência instalada total de 1.423 MW. O programa alcançou os objetivos propostos em sua primeira etapa, e a participação da energia eólica superou a capacidade prevista em 29%. Apesar disso, os prazos fixados pelo programa para que as usinas entrassem em operação, determinados em sua redação original, foram revistos em razão de dificuldades na obtenção de financiamento junto ao BNDES e incapacidade financeira por parte dos investidores.

Outra questão importante foram os leilões de energia eólica, que intensificaram a competitividade do setor eólico. A fonte eólica participou de 16 leilões, entre 2009 e 2015, com uma contratação de aproximadamente 16679 MW de potência, distribuídos entre os principais Estados geradores de energia eólica no Brasil. Isso resultou em um crescimento expressivo no ano de 2016 (6,7%) em relação ao ano de 2001 (0,03%) da participação de energia eólica na potência instalada de energia elétrica.

As informações foram extraídas da dissertação de mestrado Avanços da Energia Eólica no Brasil: uma análise das políticas públicas e seus resultados, defendida por Luan Tolentino dos Santos, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal do Espírito Santo, sob orientação do professora Adriana Fiorotti Campos.

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