Publicado em 12 de fevereiro de 2026 por Mecânica de Comunicação
Nos órgãos governamentais do Brasil, a Gestão Ambiental é orientada pela Agenda Ambiental da Administração (A3P), que se tornou um programa cujo objetivo é desenvolver uma nova cultura organizacional. Apesar da A3P não ter obrigatoriedade, se nota que tem ganhado cada vez mais adesão, ainda mais que sua base se dá pelas legislações socioambientais vigentes.
Retomando as práticas sustentáveis na Administração Pública, apesar da gestão brasileira buscar atender os acordos da ONU e de ter uma política de preservação socioambiental de seu território, ainda tem poucos projetos e políticas sendo adotadas, afinal são medidas de adesão voluntária. Apenas o Plano de Gestão de Logística Sustentável (PLS) é obrigatório, porém, as suas penalidades, caso não seja aplicado, são brandas. Na maioria das vezes, os projetos são desenvolvidos apenas para atender as legislações vigentes.
O PLS é uma ferramenta de gestão, basicamente de planejamento, que permite o estabelecimento de práticas de sustentabilidade de cada órgão público, incluindo as Instituições de Ensino Superior (IES) públicas. Esse instrumento serve para orientar, disseminar, capacitar e sensibilizar a comunidade sobre suas ações, planos e práticas socio ambientalmente mais adequadas.
Então, para colocar as IES a serviço da sustentabilidade, precisa “transformar suas estruturas institucionais; abrir os temas de estudo para a problemática socioambiental; modernizar seus quadros teóricos e os métodos de investigação norteados pelo saber socioambiental e orientá-los para a construção de um mundo sustentável”.
Quando se trata do papel das universidades quanto à sustentabilidade ambiental, existem duas principais correntes de pensamento. A primeira é a do acadêmico, em que se trata da disseminação da sustentabilidade para os discentes e cujo maior desafio é a transmissão de conhecimento e formação de profissionais com essa sensibilização. A segunda é a operacional, que se trata da aplicação da sustentabilidade nos seus próprios Sistemas de Gestão Ambiental (SGAs) e cujo maior desafio é a prática dos gestores com responsabilidade socioambiental.
Algumas instituições não conseguem desenvolver as SGAs completas, mas buscam o desenvolvimento sustentável em suas operações a partir de práticas. Os indicadores de sustentabilidade nas IES podem ter inclusões flexíveis, porém devem ser ancorados nos três eixos (econômico, social e ambiental). Conforme foi apontado para cada eixo, cita-se como indicadores comuns nessas instituições: econômico - energia, investimentos verdes e compras verdes; ambiental - água, terra, resíduos e biodiversidade; social - saúde e segurança do trabalho.
Uma pesquisa empírica identificou as ações sustentáveis de governança e gestão em uma universidade, entre a Reitoria (alta gestão) e as unidades administrativas (campi). Foram identificadas 23 ações de sustentabilidade e 31 ligadas aos mecanismos de governança, porém percebeu-se que as ações eram muito mais autônomas e aquelas definidas pela Reitoria fugiam do dia a dia dos gestores. Assim, percebeu-se a dificuldade de relacionar as ações sustentáveis à governança e os gestores entrevistados reflitam a respeito dessa relação.
Devido às universidades serem sistemas abertos com vários stakeholders, a comunicação e a instituição (administração) devem estar alinhados e serem aspectos indissociáveis da gestão. No que concerne ao Desenvolvimento Sustentável (DS), a atuação pode se dar a partir dos variados eixos de atuação das IES. Esses eixos podem ser compreendidos como o tripé da universidade (ensino – formação; pesquisa – gestão social do conhecimento; extensão – participação social) junto a gestão (campus responsável).
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Práticas de gestão para sustentabilidade e objetivos de desenvolvimento sustentável nas universidades públicas do Rio Grande do Norte, defendida por Roberta Porfírio de Sousa Oliveira, no Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, sob orientação da professora Clandia Maffini Gomes.
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