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Publicado em 27 de agosto de 2020 por Mecânica de Comunicação

Desafios da economia circular na indústria eletroeletrônica no Brasil

Os limites físicos do nosso planeta estão sendo testados. Atualmente consumimos recursos a uma taxa 50% mais rápida do que a capacidade da natureza tem de se regenerar, e se mantivermos esse padrão de produção e consumo em massa até 2030, nossa demanda de recursos naturais será de mais de dois planetas e estima-se que até 2050 precisaremos de três planetas; portanto o modelo vigente é insustentável.

Desse modo, a economia circular é uma alternativa à economia linear, pois seu propósito é manter produtos, componentes e materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor o tempo todo. Uma indústria, ao optar pela orientação do modelo de negócios para a economia circular deverá reorganizar os seus fluxos de produção, a fim de aumentar a eficiência dos recursos para alcançar um melhor equilíbrio e harmonia entre economia, meio ambiente e sociedade.

No caso da indústria eletroeletrônica, seus produtos tornaram-se parte essencial da nossa vida cotidiana. Eles estão mudando a maneira como trabalhamos, o nosso tempo de lazer e até como nos relacionamos uns com os outros. Por outro lado, o aumento do consumo gera um maior volume de resíduos.

Em 2016, chegou-se a 44,7 milhões de toneladas métricas de resíduos eletroeletrônicos, o equivalente a 6,1kg/habitante. O Brasil foi o país que mais gerou esse tipo de resíduo na América Latina: 1,5 milhão de tonelada métrica. Contudo, apenas 20% de todo o resíduo eletrônico gerado no planeta foi reciclado adequadamente, o que pode ter impactos econômicos negativos. Estima-se que o valor potencial de matérias primas como metais nobres e outros materiais recuperáveis dispostos de forma inadequada representam a soma de 55 bilhões.

Uma etapa importante no modelo de economia circular é o desenvolvimento de projetos. Isso porque é imperativo que os produtos e equipamentos já sejam concebidos de forma a evitar a geração de resíduos em todo o seu ciclo de vida e que seja considerado o uso de materiais e energia de fontes renováveis em sua concepção.

Outro fator é a logística reversa para recolhimento de seus produtos e envio, posterior, para reciclagem. Essa questão no Brasil requer especial atenção para que seja mais eficiente sobretudo no que tange aos custos face as dimensões continentais do país.

O Brasil tem características peculiares que representam grande potencial para aplicação dos conceitos de economia circular por ser um grande mercado consumidor, por ter operações fabris de diversas empresas de eletroeletrônicos em território nacional e tecnologia para destinação ambiental correta dos equipamentos pós consumo.

Pelo lado negativo, os baixos índices de reciclagem de produtos eletroeletrônicos mostram que a maioria da população ainda não tem preocupação em destinar os produtos eletroeletrônicos usados para reciclagem, logo revela-se uma oportunidade, um nicho de mercado que pode e deve ser explorado.

Além disso, a questão tributária é outra barreira tanto pela complexa legislação vigente quanto pela falta de incentivos para comercialização de produtos reciclados. E, embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos seja um importante marco regulatório, na área de eletroeletrônicos ainda não existe um acordo setorial estabelecido, o que também dificulta a transição para um modelo de economia circular.

As considerações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Desafios para Implantação da Economia Circular: estudo de caso de uma empresa de eletroeletrônicos no contexto brasileiro, defendida por Gerson da Cruz Oliveira, na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, sob orientação do professor Jorge Juan Soto Delgado.

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